A revolução do biometano
24/02/2026
Enquanto se fala muito sobre o crescimento da frota de carros híbridos e elétricos, outra boa notícia no processo de descarbonização cresce rapidamente, mas passa praticamente despercebida. É o avanço do biometano, um combustível sustentável utilizado como fonte de energia para indústrias, combustível para frotas de carga e transporte público, além de servir como insumo na produção de fertilizantes.
O biometano é uma versão refinada do biogás, gerado pela decomposição de resíduos orgânicos. Enquanto o biogás é uma mistura bruta, ideal para queima local, o biometano tem maior pureza e concentração, por isso tem características semelhantes às do gás natural. Ele é feito a partir do biogás extraído de aterros sanitários, resíduos do agronegócio e estações de tratamento de esgoto.
O crescimento do biometano está acelerado em São Paulo, maior produtor do país, que está prestes a ultrapassar a marca de 700 mil m3 diários de produção. Em 2025, a cidade de Presidente Prudente se tornou a primeira do país a ter todo o seu abastecimento de gás canalizado feito com biometano, produzido em uma usina da região. O avanço também é grande em Ribeirão Preto e em municípios próximos. O crescimento é atribuído a três fatores: avanços regulatórios (entre os quais a Lei Combustível do Futuro, de 2024), rearranjos geopolíticos internacionais e a melhoria da infraestrutura nacional.
Em 2026, a produção paulista deve crescer 50%, com a entrada em operação de sete unidades de produção do gás (até agora são oito em operação). O Programa Integra Resíduos, criado para estimular esse crescimento, já está presente em 344 municípios do estado. Mas ainda há um potencial imenso de crescimento. Calcula-se que seja possível atingir 6,4 milhões de m3 diários.
“O biometano vai se tornar mandatório nos aterros sanitários”, resumiu Marcel Jorand, CEO da Gás Verde, empresa do setor que tem 12 usinas em sete estados e vai investir R$ 900 milhões nos próximos anos. Parte desse investimento será destinada a aterros sanitários para converter dez usinas de biogás em plantas de biometano. É o chamado CO2 verde, capturado por meio do biogás e transformado em combustível, evitando sua emissão na atmosfera. Das 12 usinas atuais da empresa, duas transformam o biogás em biometano, e as outras dez o utilizam para geração de energia elétrica.
Outro caminho muito promissor para o biometano é o transporte público, já que se apresenta como uma solução muito mais barata que os ônibus elétricos, e diversas empresas nacionais têm tecnologia para produzir os veículos movidos a gás. O biometano produzido no Brasil chega a um custo equivalente à metade do diesel. Extremamente eficiente para frotas que circulam em uma área definida, como uma cidade ou região metropolitana, onde poucos pontos de abastecimento resolvem o problema de uma grande quantidade de veículos.
Saiba mais nos sites Semil, Folha de S.Paulo, Eixos, O Globo e Exame.
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