Estudo da CNI recomenda criação de financiamento de baixo custo para Indústria 4.0

22/10/2020

O desenvolvimento e implementação de iniciativas ligadas à Indústria 4.0 muitas vezes esbarra nos custos, apesar dos reconhecidos ganhos de escala proporcionados. Neste sentido, a sensibilização dos representantes das empresas e a criação de financiamentos atrativos para a adoção de soluções tecnológicas devem estimular sua proliferação de maneira mais rápida.

É o que mapeou estudo elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Promovida com empresas de diversos portes, nacionais e internacionais, o documento aponta esses dois pontos como gargalos relevantes para a disseminação do conceito no mercado.

Na avaliação técnica da CNI, a abertura de linhas como a BNDES Crédito Serviços 4.0, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e a Inovacred 4.0, lançada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), representam avanço significativo.

“As principais nações industrializadas inseriram o desenvolvimento da Indústria 4.0 no centro de suas estratégias de política industrial para preservar e aumentar sua competitividade. O Brasil precisa fazer o mesmo. A capacidade da indústria brasileira competir internacionalmente dependerá da nossa habilidade de promover essa transformação”, acredita Carlos Eduardo Abijaodi, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI. “A crise gerada pela pandemia do novo coronavírus tornou o processo ainda mais urgente”, completa.

Dados do estudo
Os resultados confirmaram a hipótese inicial segundo a qual as empresas de menor porte encontram-se mais atrasadas no processo de implantação da Indústria 4.0. Mesmo entre as grandes, no entanto, 42,1% das entrevistadas não haviam iniciado sua transformação digital “Elas conseguiram manter competitividade com base em outros ativos que não a eficiência produtiva e a competência no campo da tecnologia. Apesar disso, é sempre incerto garantir que essa situação se mantenha em um cenário produtivo e em um ambiente competitivo distintos como os que se desenham no momento atual para a atividade industrial brasileira”, destaca o relatório técnico.

A publicação destaca que a origem do capital das empresas não é fator determinante para a implementação de novas tecnologias. O percentual das estrangeiras que não implementaram projetos da Indústria 4.0 (40%) está muito próximo do registrado nas empresas nacionais (50%). Entre as empresas multinacionais entrevistadas foi comum encontrar aquelas que não tinham autonomia decisória e que consideravam sua situação tecnológica atrasada em relação a outras unidades do grupo.

“Uma situação contraditória em que a multinacional tem mais acesso à tecnologia e vantagens decorrentes de pertencer a um grupo econômico mais complexo, mas padece pela importância, geralmente subordinada da unidade brasileira dentro da corporação industrial”, avalia o relatório.

O conteúdo original dessa reportagem pode ser acessado no https://bit.ly/3lUAhaG.

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