Gêmeos digitais ganham marco normativo no Brasil
20/03/2026
O uso de gêmeos digitais no Brasil finalmente começou a ser regulamentado. O marco é a publicação da norma ABNT NBR ISO/IEC 30173, que estabelece um vocabulário comum para o setor e define o conceito como “uma representação digital de um ativo físico, conectada por dados e sincronização contínua entre os mundos físico e virtual”. Essa padronização, segundo os especialistas, estava faltando, porque o mercado adotava diversas interpretações conflitantes para esse conceito, e algumas não eram compatíveis com outras. “A norma vem dar base para que todo mundo possa falar a mesma língua e reduzir ambiguidades”, explicou Bruno Medina, líder do grupo técnico da ABINC (Associação Brasileira de Internet das Coisas).
O uso de gêmeos digitais na indústria brasileira – e mundial – vem se expandindo e gerando interesse de um número cada vez maior de empresas. Por isso, em um webinar promovido pela ABINC para discutir o tema, o presidente da entidade, Rogério Moreira, explicou: “Quando a gente fala de interoperabilidade, a gente passa pelo assunto de normas. No Brasil, nós estamos atrasados nesse ponto e, devido a isso, começamos esse movimento”. Segundo Moreira, o alinhamento técnico deve permitir maior integração entre fornecedores, reduzir incertezas regulatórias e estimular novos modelos de negócio, além de aproximar o mercado e as universidades, já que pesquisadores na academia desenvolviam aplicações relevantes, mas a ausência de normas dificultava a adoção em escala.
O próprio Rogério Moreira estima que potencial econômico e estratégico dos gêmeos digitais pode chegar a US$ 110 bilhões em 2028.
A tecnologia está presente em setores como manufatura, infraestrutura, energia e construção civil. Existem aplicações em otimização de linhas de produção, gestão de ativos industriais, planejamento urbano, eficiência energética de edifícios e monitoramento de infraestrutura crítica, entre outros. Há também perspectivas em áreas como saúde, cidades inteligentes e mobilidade urbana, mas, nesses setores, a tecnologia ainda enfrenta diversos desafios relacionados à infraestrutura de sensores, interoperabilidade e regulamentação. O tema foi explorado em um webinar que pode ser visto na íntegra aqui.
Um exemplo de como a tecnologia tem se expandido está na indústria papeleira, onde a Voith Paper anunciou o uso de gêmeos digitais no processo de produção de papel tissue, com foco na otimização do processo de secagem, redução de custos operacionais e aumento da estabilidade das máquinas. A solução utiliza um simulador do processo de secagem desenvolvido a partir de uma modelagem matemática dos processos termodinâmicos reais das máquinas: pressão, temperatura, umidade, fluxo de ar e consumo de energia são representados por equações, formando um gêmeo digital que replica o comportamento da operação física. O recurso permite testar cenários e compreender o impacto de cada decisão antes de aplicá-la na máquina. A velocidade da simulação pode ser ajustada para acontecer em tempo real ou até 100 vezes mais rápida, reproduzindo o comportamento da máquina inclusive em modo manual, com diferentes cenários de controle de processo.
Saiba mais nos sites Indústria 4.0, ABINC, Newly e TI Inside.
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