Infraestrutura precisa de resiliência
07/01/2026
Catástrofes climáticas, como os vendavais que deixaram São Paulo sem luz em 2025 ou as enchentes que inundaram o Rio Grande do Sul em 2024, têm chamado a atenção para a necessidade da adaptação da infraestrutura a uma realidade na qual esses eventos se tornam cada vez mais comuns. Após o levantamento dos prejuízos causados pelos vendavais do final do ano em São Paulo, o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Marcos Madureira, afirmou que esse é um problema que deve ser pensado em conjunto com autoridades de diversos setores. “O que derruba normalmente a rede não é o vento. Normalmente são árvores que caem sobre a rede e interrompem a energia, portanto, é um assunto que deve ser resolvido de maneira conjunta”, observou. Uma das propostas debatidas é o enterramento de fios da rede aérea de energia elétrica, que é comum em outros países, mas ainda raro no Brasil. O grande problema dessa medida é o custo alto — cerca de dez vezes maior que a instalação de postes com fios.
Durante a COP30, um estudo da Marsh McLennan e da consultoria Oliver Wyman, realizado para seis das maiores empresas de infraestrutura do país (EcoRodovias, Hidrovias do Brasil, Motiva, Rumo, Santos Brasil e Ultracargo), concluiu que os contratos de concessão de infraestrutura precisam incorporar mecanismos capazes de garantir a chamada “resiliência climática”. Na Câmara dos Deputados, um projeto propõe certificar empreendimentos de infraestrutura em termos de sustentabilidade e resiliência. O texto define como infraestrutura resiliente aquela planejada para suportar eventos climáticos extremos. Em países como Japão ou áreas como a Califórnia, nos Estados Unidos, as infraestruturas públicas receberam grandes investimentos e novas tecnologias para enfrentar catástrofes como terremotos e tsunamis. Na Holanda, os investimentos são para conter a elevação do nível do mar. No Brasil, os empreendimentos certificados com o selo estariam aptos a captar recursos do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC). As normas para a certificação seriam estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou por empresas credenciadas pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro).
A ONU, em outubro último, lançou uma campanha do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR) defendendo “Financiar a resiliência, não os desastres”. Segundo um relatório de avaliação global sobre desastres, os custos relacionados a essas catástrofes chegaram a US$ 2,3 trilhões por ano em 2025, um número tão significativo que o investimento na prevenção se tornou o mote da campanha.
Saiba mais sobre o assunto nos sites do Estadão, Valor (somente para assinantes), Câmara dos Deputados e ONU.
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