A expansão do etanol de milho e seus coprodutos
31/07/2026
A produção de etanol de milho no Brasil está crescendo rapidamente, em ritmo próximo aos 30% ao ano, e os seus coprodutos vêm ganhando participação cada vez maior nas exportações. Segundo fontes do setor citadas pelo JornalCana, a previsão é de que a produção, durante a safra 2026/2027, atinja a marca de 13 bilhões de litros. Embora sua produção em grande escala no país seja mais recente do que a do etanol de cana-de-açúcar, ela vem atraindo a atenção dos investidores por alguns motivos. Um deles é que o milho produz o ano inteiro, sem a sazonalidade da cana, o que permite o abastecimento do mercado com maior estabilidade. Outra razão é que seu processo produtivo rende coprodutos valiosos, como óleo de destilação utilizado para biodiesel e o DDG (sigla em inglês para os grãos secos que sobram após a destilação), usado para nutrição animal.
A Inpasa, maior produtora da América Latina, acaba de inaugurar uma unidade na Bahia e anunciou que irá começar a produção nas plantas de Rio Verde (GO), em 2026, e de Rondonópolis (MT), em 2027. Flávio Peruzo Gonçalves, vice-presidente de Negócios de Originação da empresa, prevê um crescimento de 38% nas exportações de DDGS, um coproduto obtido a partir dos resíduos solúveis da fermentação, readicionados aos grãos do DDG e secos. Somente a Inpasa prevê exportar 1,1 milhão de toneladas até o final de 2026, principalmente para a China. Além das matérias-primas vendidas para o agronegócio, a empresa investe em produtos mais sofisticados, como o chamado etanol neutro, de altíssima pureza, que é usado na indústria farmacêutica e no setor de bebidas. A maior parte tem como destino a exportação.
A FS, primeira indústria a produzir o etanol de milho no país, anunciou a instalação de uma nova planta em Mato Grosso, em um projeto de R$ 2,07 bilhões, com capacidade para produção de 540 milhões de litros de etanol por ano, além de 390 mil toneladas anuais de DDG. Já a Bioenergética Aroeira, no Triângulo Mineiro, anunciou que vai investir R$ 750 milhões na implantação de uma usina de etanol de cereais.
As perspectivas de rentabilidade das usinas de etanol de milho aumentaram com a perspectiva de exportação de DDG. Segundo Renato Pretti, CEO da Cerradinho Bio, esse coproduto pode representar entre 20% e 25% da receita líquida das operações das empresas do setor. Mais do que uma fonte adicional de receita, os coprodutos passaram a ocupar papel estratégico no racional econômico das usinas, contribuindo para diversificar as fontes de receita e ampliar a competitividade dos empreendimentos.
Saiba mais sobre o assunto nos sites Jornal da Cana, AgFeed, Eixos, Globo Rural e RPA News.
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