Empresas ainda não se consideram prontas para a IA

02/09/2026

Três pesquisas recentes indicam que, se as ferramentas de inteligência artificial evoluíram rapidamente nos últimos anos, as empresas ainda têm muito a evoluir em governança de dados, processos internos e preparo das equipes para poder fazer uso efetivo da nova tecnologia.  

Uma pesquisa da Skyone, empresa de soluções em nuvem, em parceria com a MIT Technology Review Brasil, ouviu 265 líderes em áreas de tecnologia, inovação, negócios e gestão de pessoas. A constatação foi de que, embora 99% dos entrevistados considerem que agentes de IA terão papel central nos negócios nos próximos três anos, 74% avaliam que suas empresas ainda estão em estado inicial ou intermediário de adoção dessa tecnologia. Além disso, 57% ainda não possuem orçamento específico para IA.  

As respostas apontam que a maioria das empresas ainda faz testes esparsos e projetos-piloto, mas não se prepara para escalar o uso da IA.  A principal barreira, porém, não está no acesso às plataformas. Para 40% dos entrevistados, a falta de integração entre departamentos é vista como o principal entrave. Cerca de 46% explicam que suas empresas operam em estruturas fragmentadas entre negócio e TI – e 59% afirmam que suas empresas ainda não estão preparadas para operar equipes formadas por pessoas e sistemas inteligentes.  

Uma pesquisa global da Veeam Software, que ouviu 600 executivos de setores como indústria, finanças e tecnologia, mostrou que, embora 88% das empresas estejam usando ou testando agentes de IA, somente 7% se consideram prontas para a tecnologia. Para 95% dos entrevistados, os principais desafios que atrasam sua adoção estão relacionados à gestão de dados. Apenas 40% se dizem confiantes na capacidade de suas equipes isolarem e reverterem uma falha de IA agêntica, e só 28% se dizem confiantes na capacidade do time detectar sistemas de IA operando fora dos parâmetros aprovados. É baixa a proporção de organizações que consegue identificar rapidamente quais sistemas a IA acessou (29%), quais ações executou (25%), quais decisões influenciou (24%) e quais dados utilizou (22%). Essas questões são críticas, entre outros fatores, pela necessidade de atender a legislações como a LGPD, no Brasil, e ao AI Act da União Europeia, entre outras.  

Uma pesquisa global da consultoria McKinsey, com 750 executivos de diferentes setores, avaliou os estágios de maturidade das empresas na adoção da inteligência artificial, classificando as respondentes em três níveis. O primeiro foi chamado de enablement (que pode ser traduzido como capacitação), o estágio mais comum, no qual as ferramentas de IA são usadas para apoiar tarefas existentes. Nele, apenas 13% dos líderes avaliam que a tecnologia gerou valor relevante. O nível seguinte é o de automação, no qual a IA passa a redesenhar fluxos de trabalho entre áreas. Nesse caso, 24% dos líderes consideram que a IA está trazendo uma contribuição significativa. O nível mais alto foi chamado de reinvenção e nele a IA redesenha papéis, fluxos de trabalho e modelos operacionais inteiros, mudando o modelo operacional como um todo. Nesse caso, 48% dos líderes avaliam que o impacto da IA é relevante.  Apesar dos resultados associados a esse estágio, apenas 11% das empresas pesquisadas afirmam ter alcançado a reinvenção com IA. Uma das conclusões do estudo é que a maturidade no uso da inteligência artificial acontece nas organizações que tratam sua jornada de IA como uma mudança de modelo operacional e não como uma simples implementação de novas ferramentas.  

Saiba mais sobre o tema nos sites ExameFolha de S. Paulo e Startse. O estudo completo da Veeam pode ser baixado aqui (em inglês).

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