NR-1 pode estimular adoção de IA na gestão de pessoas

02/07/2026

A entrada em vigor da nova redação da NR-1, a norma trabalhista de saúde e segurança do trabalho, que torna obrigatório para as empresas identificar e controlar os riscos psicossociais relacionados ao trabalho pode aumentar a adoção de ferramentas de inteligência artificial na gestão de pessoas.  

A segurança no trabalho tradicionalmente tinha seu principal foco em riscos físicos, como acidentes, incêndios e doenças ocupacionais ligadas ao manuseio de substâncias químicas ou trabalho em ambientes perigosos. A obrigação de mensurar e controlar ameaças intangíveis, como o estresse ocupacional, a sobrecarga de tarefas e as dinâmicas de assédio, trouxe aos gestores das empresas uma dificuldade adicional para a qual muitas não estavam preparadas. Por isso, para muitos deles, a IA é bem-vinda. 

As ferramentas baseadas em IA agora permitem aos profissionais de recursos humanos acompanhar as equipes de maneiras que anos atrás pareceriam impossíveis. Por exemplo, a análise de dados pode permitir a identificação antecipada de padrões de risco. “O RH não pode mais ser apenas executor de processos; ele precisa ser intérprete de dados. A IA permite que o gestor saia da posição reativa e atue na prevenção”, explica Renan Conde, CEO Brasil da HRTech Factorial.  

“As empresas precisam transformar saúde mental em um tema mensurável. A tecnologia ajuda justamente nesse processo, trazendo mais objetividade para decisões relacionadas à saúde e segurança do trabalhador”, diz  o ergonomista Alison Klein, um dos fundadores da Kinebot, startup que desenvolveu um software para acompanhamento de riscos psicossociais de forma automatizada. “A IA nos ajuda a identificar padrões de estresse a partir de comentários anônimos e outros indicadores. Isso permite revisar procedimentos preventivamente antes que eles se tornem afastamentos ou conflitos mais sérios”, explica Luccas Gavron, da área de PeopleAnalytics do Grupo Pinho, que atua em comércio exterior, uma das early adopters da tecnologia.  

Em diversas empresas, as ferramentas também estão sendo usadas para apoiar o desenvolvimento interno, criando trilhas de treinamento personalizadas para melhorar a comunicação entre líderes e equipes. A revista Exame listou três principais trilhas nas quais a IA vem sendo adotada pelos RHs corporativos: 

People Analytics: Com o cruzamento inteligente de indicadores, permite correlacionar informações, como excesso de horas extras, absenteísmo e rotatividade, identificando quem está em risco de burnout ou sobrecarga antes que o problema resulte em afastamentos. 

Análise de sentimento: Pesquisas automatizadas e análise de sentimento permitem detectar mudanças no clima organizacional quase em tempo real.  

Automação Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR): Sistemas centralizados ajudam a atualizar o inventário de riscos exigido pela NR-1 no PGR, organizando evidências de ações preventivas e facilitando auditorias ou fiscalizações. 

Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais no país. Os custos em pagamentos de sentenças e acordos trabalhistas com base em saúde mental já representam um peso financeiro para as empresas. O uso responsável de IA pode apoiar as ações preventivas e a organização de evidências, mas não substitui políticas de gestão, escuta ativa e medidas efetivas de prevenção.  

Saiba mais sobre o assunto nos sites Jota, Indústria 4.0, Exame, Segs e Ministério da Previdência

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