Brasileiro defende sustentabilidade, mas resiste a comprar reciclados

02/07/2026

Os brasileiros, em sua grande maioria (72%), veem de forma positiva empresas que investem em sustentabilidade. Porém, uma pesquisa recente mostra que 43% ainda pensam duas vezes antes de adquirir algum produto reciclado, independentemente do valor. O levantamento, realizado pelo instituto Nexus por encomenda da CNI, ouviu 2.019 pessoas em todo o território nacional. Entre as restrições dos consumidores aos reciclados, 34% afirmam que preferem comprar produtos novos, e 30% apresentam dúvidas sobre a durabilidade dos produtos reciclados. 

A pesquisa traduz um obstáculo no mercado de produtos produzidos com os processos da economia circular que incluem, entre outros, reparar, remanufaturar e reciclar.  Uma parte significativa do público (56%) não percebe a relação direta entre seus próprios hábitos de consumo e as emissões de gases de efeito estufa. Apenas 13% dizem conhecer com profundidade os conceitos de economia circular. “Existe interesse da sociedade por práticas mais sustentáveis, mas ainda há barreiras relacionadas à informação, à percepção de qualidade e ao acesso. Isso reforça a necessidade de ampliarmos o debate sobre economia circular e criarmos condições para que escolhas mais sustentáveis façam parte do cotidiano dos brasileiros”, explica Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI.   

Segundo a CNI, o quadro reforça a necessidade da aprovação da Política Nacional de Economia Circular, que já foi aprovada pela Câmara, após uma série de discussões, e aguarda análise no Senado.  

Entre os hábitos constatados na pesquisa, 84% das pessoas dizem que não devolvem itens como pilhas, baterias e eletrônicos usados aos pontos de coleta de logística reversa. Os principais motivos alegados são falta de informação sobre onde e como devolver (33%) ou distância dos pontos de coleta (24%).  

Ironicamente, grande parte dos brasileiros adota algumas práticas da economia circular, mas, quando questionada a motivação, explica que é principalmente econômica. É o caso de consertar produtos sempre que possível, no lugar de substituí-los (58%). Apenas 10% das pessoas que adotam essa prática relacionam com uma preocupação ambiental.  A comunicação, o marketing e a inovação podem ajudar a virar esse jogo, apresentando os benefícios da economia circular ao grande público. A Riachuelo, por exemplo, acaba de lançar uma linha de jeans que fomenta a circularidade. Ele possui 20% de fibras de algodão recicladas, além de elastano de biomassa proveniente de cana-de-açúcar. 

O Brasil recicla cerca de 8% dos resíduos sólidos urbanos, índice superior ao de outros países da América Latina, mas ainda bastante inferior ao alcançado nos países da Europa Ocidental. Em algumas cadeias produtivas, porém, o Brasil se destaca. É referência mundial em reciclagem de latas de alumínio, com mais de 87,2% do material totalmente reciclado. Para tentar replicar esse sucesso, outras cadeias industriais têm investido em ações de esclarecimento e divulgação. Desde o ano passado, por exemplo, o Selo de Rastreabilidade e o Selo de Conteúdo Reciclado permitem acompanhar todo o ciclo do plástico reciclado nos produtos à venda no país. A iniciativa, criada pela plataforma Recircula Brasil, já mapeou 304 fornecedores e 1,5 mil clientes em diversos estados.  
 
Saiba mais sobre o assunto nos sites Portal da Indústria, Eixos, CNI, Abramark, Abrema, Pixpel e Agência Brasil

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